A Marselhesa

Algumas canções identificam imediatamente o momento histórico que a produziram. Pensando assim é impossível dissociar a “Marselhesa” da Revolução Francesa. Talvez o Hino Francês seja a canção nacional mais famosa do mundo. Mas por que alcançou tanta fama? Por que é tão importante?
Em primeiro lugar, deve-se destacar a importância da Revolução Francesa. Ela não derrubou apenas o rei, mas todo um sistema político, econômico e social conhecido como Antigo Regime. Certo que houve outras revoluções antes da ocorrida na França a partir de 1789, mas nenhuma foi tão radical, tão popular e teve conseqüências tão grandes. Ou seja: a Revolução Francesa pode ser considerada “A REVOLUÇÃO”, inauguradora de toda a Idade Contemporânea e da configuração de uma nova sociedade.
O Hino Francês é de 1792, ano de intensas agitações. Além da implementação da República Jacobina, ou Convenção Nacional, foi quando se iniciou a guerra. A França entrou em conflito com os seus vizinhos que pretendiam acabar com a Revolução, ao mesmo tempo em que o rei tentava retomar o poder que lhe fora subtraído pela Assembleia Constituinte.
Envolvida em uma guerra interna, contra a própria monarquia francesa; e externa, contra as demais monarquias, a nova Nação Francesa se viu envolvida no contexto de uma “guerra total”. De todos os cantos da França vinham batalhões para Paris, a fim de protestar contra o rei e lutar pela persistência da nova Nação. Foi nesse ínterim que surgiu a “A Marselhesa”. Trazida por soldados vindos de Marselha, foi elaborada no “calor da hora”, para motivar a população francesa a participar da batalha.
Notem como a letra fala em lutas:
La Marseillaise
Allons, enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé !
Contre nous de la tyrannie,
L’étendard sanglant est levé, (bis)
Entendez-vous dans les nos campagnes
Mugir ces féroces soldats ?
Ils viennent jusque dans vos nos Brás
Égorger vos nos fils et vos nos compagnes !
Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu’un sang impur
Abreuve nos sillons !
A Marselhesa
Avante, filhos da Pátria
O dia da glória vos espera
Contra nós da tirania,
O estandarte ensaguentado se levantou
Escutem nos campos
Quem são esses são esses ferozes soldados
Eles vão até os vossos braços
Degolar seus filhos e suas mulheres
Às armas cidadãos
Formem seus batalhões
Marchem, marchem!
Que um sangue impuro
Banhe o nosso solo
É fácil perceber de qual tirania o hino francês fala, ou quem são os ferozes soldados. Trata-se das monarquias que persistiam em se opor á França, dos conservadores que queriam acabar com a Revolução, em outras palavras, representantes do Antigo Regime.
No entanto, outros elementos ainda podem ser extraídos da “Marselhesa”. Por exemplo, o termo Patrie é uma novidade em relação ao Antigo Regime.  Apenas a partir da Revolução Francesa que surge a ideia de “Nação” e a concepção de um Estado Nacional unificado e não mais sob a tutela de um monarca que teve seu poder concedido por Deus. A partir de agora, o poder era concedido pelo povo e para o povo de uma Nação. A percepção da luta pela liberdade também é latente na “Marselhesa”. A partir da Revolução Francesa esse conceito deixou de ser apenas um status jurídico em oposição à escravidão e se transformou em uma bandeira política para os grupos e para os indivíduos.
A “Marselhesa”, contudo não se trata somente do Hino da França. É uma canção, que assim como os ideias da Revolução Francesa, rodou o mundo e traz consigo o significado de “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”.
Abaixo o estádio “stade de France” no ano de 1998, durante a final da Copa do Mundo entre França e Brasil, justamente durante a execução do Hino francês.
Sugiro que procurem no You Tube por uma cena do filme “Casablanca”. Em resumo, o filme mostra a vida em Casablanca no Marrocos, no período em que a França era ocupada pelos nazistas, lembrando que o Marrocos era uma possessão francesa. Em certo momento, os soldados nazistas estão cantando num bar e são interrompidos pela “Marselhesa”, reforçando que para além do sentimento nacional francês, a “Marselhesa” representa a luta contra as tiranias em qualquer parte do mundo. Só não coloco aqui, porque o site que me refiro não permite compartilhar ou incorporar em blogs nenhum video desse filme, mas um dos links é esse: http://www.youtube.com/watch?v=KTsg9i6lvqU.
Quem quiser, fique a vontade pra comentar os posts, seja por aqui,seja pelo facebook. Essa “interatividade” também é um dos objetivos do blog.
Bibliografia:
HOBSBAWM, Eric. Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1997.
VOVELLE, Michel. Introducción a la História de la Revolución Francesa. Barcelona, Editorial Crítica, 2000.
A “Marselhesa” no final da Copa do Mundo:Postado por Burd

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