O dono da lua

Linda história para Reflexão.

Era domingo em Viña del Mar. O companheiro Haroldo de Souza chamou minha atenção para uma reportagem de duas páginas num jornal chileno dando conta de que a Lua tinha dono. O título da matéria: ‘El dueño de la Luna’. O proprietário chamava-se Jenaro Gajardo Vera e morava em Santo Domingo.

No dia seguinte, dirigindo um Subaru e com uma máquina fotográfica emprestada por Edison Vara, rumei para o pequeno balneário de Santo Domingo. Foi fácil localizar a casa de Jenaro, conhecido por todos como ‘el dueño de la Luna’. Ali ouvi uma história fantástica.

Jenaro, advogado, pintor e poeta, nasceu em Traiguén, em 1919, e em 1951 mudou-se para Talca. Em 1954, viu seu nome ser rejeitado como sócio de um clube local. Motivo: ele não possuía bens materiais. Um dia depois da desfeita, foi ao cartório da cidade declarando-se dono da Lua. Exigiram três publicações no Diário Oficial e, como ninguém contestou, teve o pedido atendido. O assunto foi notícia no mundo.

Em 1969, quando os EUA se preparavam para viajar à Lua, Jenaro contratou o advogado Enrique Monti Forno, que obrigou os norte-americanos a solicitarem permissão para descer na propriedade do chileno. Jenaro faleceu em 1998 e, no seu testamento, consta. ‘Dejó a mi pueblo la Luna, llena de amor por sus penas’.

Contei esta história no Correio do Povo. Logo depois, a revista Isto É publicaria: ‘… O fato teve tanta repercussão que o presidente americano Richard Nixon mandou de brincadeira o seguinte telegrama para Vera em 1969: ‘Em nome do povo dos Estados Unidos, solicito-lhe autorização para que os astronautas Aldrin, Collins e Armstrong desembarquem no satélite que lhe pertence’.’ Quem revelou a existência de Vera a Isto É foi o jornalista gaúcho Hiltor Mombach, que o entrevistou em 1991. O assunto virou tema de debate nas faculdades de Direito. Jenaro podia ou não ser o dono da Lua? Para o próprio Jenaro, isto era o de menos. Assim como o Grêmio agora, conseguiu seu intento. Virou notícia.”

A lenda diz que em maio de 1969, antes da missão espacial Apolo 11, o presidente dos EUA, Richard Nixon, fez chegar através de um representante em Santiago, um comunicado a Gajardo: “Solicito en nombre del pueblo de los Estados Unidos autorización para el descenso de los astronautas Aldrin, Collins y Armstrong en el satélite lunar que le pertenece.”
Lenda? Fato? Opto pela famosa frase do filme “O Homem que Matou o Facínora”: “Quando a lenda antecede os fatos, publique-se a lenda”.
Em um cartório de Ramón Galecio, em Santiago, Gajardo deixou a Lua como herança para o povo chileno: “ “Dejo a mi pueblo la Luna, llena de amor por sus penas”. Na entrevista que concedeu para mim, deixou parte da Lua para o povo gaúcho.

Jenaro morreria sete anos depois da entrevista.

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