O Traje Maçônico

Bom os Maçons são reconhecidos além dos famosos pins, anéis, adesivos pela sua vestimenta como diria nosso saudoso Castellani,“agente funerário”, de forma muito descontraída, por tanto o e com um petismo de bom humor nascem os Bodes In Black… Mas…

Nós, Maçons, sofremos, sempre, com as crendices populares, o fanatismo de ataques e a falaciosa assertiva de que fazemos pacto com o demônio. A isto, nos associam ao bode preto. Sem dúvida, fruto da maçonaria.

Este tema, sem dúvida, é bastante interessante.
É para que a leitura fique mais agradável e, com isso, se possa entender melhor o que desejamos apresentar ao profano – ou leigo. A primeira e talvez, a mais forte crendice popular, deriva do bode-preto.

A história da Maçonaria é recheada de lendas que nos foram passadas das civilizações Orientais, principalmente do Egito, de Israel e de Tiro, na Fenícia, nascedouros da Luz do saber, para narrar a dramaticidade de cada grau.

Transportando-nos a eras remotas, encontraremos os povos da Babilônia, os Assírios e os Caldeus, ancestrais, também responsáveis pelos conhecimentos maçônicos que através das gerações chegaram até os nossos dias.

O tema tem como objetivo fazer uma panorâmica e ao mesmo tempo tentar repassar conhecimentos assimilados da pesquisa realizada, visando contribuir, de certa forma, para melhorar o nosso aprendizado sobre fatos históricos que envolvem esta Arte Real.

O Traje Maçônico, tema que discorreremos a seguir, não visa polemizar decisões anteriores nem recentes constantes da nossa Constituição Maçônica nem dos Rituais.

Vivemos numa das mais quentes regiões do País, onde deveríamos usar roupas sóbrias, até mesmo por questões de higiene e saúde. Um traje passeio de cor sóbria, como sempre foi admitido na Maçonaria, é também um traje maçônico, pois se torna decente, alegre e mais apropriado ao nosso clima tropical.

É bom relembrar que durante o período da Maçonaria Operativa os Obreiros desta Arte Milenar organizavam-se nas denominadas “sociedades secretas”, sendo, portanto, um contra senso, a imposição de vestes pretas para as referidas reuniões.

Com o advento da Maçonaria especulativa e, consequentemente, com a criação do grau de Mestre Maçom em 1725, não aquele Mestre que dominava um ofício e sim, aqueles que tinham alguma coisa para ensinar.

Mesmo assim, não existe registro que o traje maçônico fosse obrigatoriamente preto.

Nesse contexto é de bom alvitre citar o seguinte posicionamento a respeito deste assunto, o saudoso Irmão José Castellani um artigo publicado em “A TROLHA”, diz: “-Traje maçônico mesmo é o Avental, sem o qual o Obreiro é considerado nu” e prossegue: “… Mas que, sob ele, deverá haver uma roupa decente e sóbria… -”

A Maçonaria escocesa tem todas as suas lendas fundamentais baseadas nas Sagradas Escrituras na qual o Velho Testamento. Fundamentalmente, narra a história do povo de Israel, sendo de ressaltar que a maioria dos livros que as compõem foram escritos por autores judeus. Portanto, podemos livres de qualquer preconceito, de qualquer insinuação graciosa de anti-semitismo, sustentarmos que o traje negro contraria um dos princípios fundamentais da nossa Ordem por ser tradição do judaísmo ortodoxo.

Sabemos, ainda, que a nossa Instituição não admite em seus templos quaisquer espécies de sectarismo, religioso ou político. Recebe sim, em seus quadros homens livres e de bons costumes, de qualquer religião e de qualquer ideologia política.

Entendemos perfeitamente que o traje negro e o chapéu da mesma cor é uma tradição judaica ortodoxa, sendo, portanto, o traje dos rabinos.

Embora já se praticasse a maçonaria moderna ou especulativa, pesquisas realizadas em literatura do século XIX, nelas não encontramos nenhuma gravuras nem fotografias de maçom usando o traje negro.

A adoção do terno preto para a Maçonaria vai de encontro aos princípios do esoterismo e, consequentemente ao simbolismo dos três principais graus do Rito Escocês Antigo e Aceito, uma vez que as vestes pretas simbolizam a tristeza, o caos, a dor, o nada. Não há, se pensarmos bem, nenhuma razão evidente, nenhum imperativo da tradição maçônica que possa justificar o seu uso.

Na realidade, o traje maçônico como atualmente é tratado o terno preto, foi introduzido em caráter obrigatório em 1993, pela Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro (GLMERJ e daí por diante esse costume sedimentou-se na Ordem Maçônica, prevalecendo, no nosso entendimento, a vontade de uma corrente dominante da Maçonaria e não a representação do pensamento manifestado da totalidade dos Obreiros desta Grande Instituição.

Conclusão

A maçonaria especulativa dos nossos dias vive período moderno e como tal, sentem-se na necessidade de adequar os seus usos e costumes a época, voltando as suas origens, para que possa atender aos anseios dos nossos Obreiros. Assim procedendo não estaremos nos afastando do princípio milenar que rege esta Arte Real, nem tão pouco estaríamos cometendo um delito maçônico contrariando os Landmarks.
http://www.obreirosdeiraja.com.br/o-traje-maconico/

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