Vermelhas contradições

Jean Paterno

No meio acadêmico a discussão, muitas vezes acalorada e ingenuamente empregada como estopim para inimizades fatais, está longe do fim. A interpretação mais disseminada das teorias de Karl Marx é a de uma sociedade socialista, sem patrões, e na qual todos, bancados pela generosidade do Estado, teriam direitos básicos em igual medida. A outra, ferozmente combatida pelos alienados da primeira, considera que Marx foi mal entendido e que ele jamais teria pregado o que seus interlocutores juram que ele tenha afirmado.

Um dos pecados mais graves dos radicais do PT e de membros de alguns partidos de esquerda é querer impor ao Brasil uma ideologia condenada pela história, que há muito comprova que o povo rejeita ideias de socialização dos meios de produção. Entre os que não compactuam com esse projeto há também aqueles que, devido à pureza de sua ignorância, sequer sabem do que se trata o tal socialismo.

Mas é engraçado esse modelo que os teóricos da esquerda tentam, tão incisivamente, incutir nos brasileiros. Conheço alguns desses que se dizem socialistas, comunistas ou seja lá como se denominem. Não é nada difícil de encontrar entre eles aqueles que gostam e usufruem das coisas que o pecaminoso capitalismo oferece. Moram em espaçosos apartamentos, em confortáveis residências, vão a finos restaurantes, bebem vinhos de boas safras e desfilam em carros de luxo.

Até membros do MST se rendem às facilidades do predominante regime ocidental. Enquanto os inocentemente induzidos a se apropriar da terra alheia assam sob barracas de lona, os “donos” do movimento exibem, do conforto da cabine refrigerada, o quanto é prazeroso possuir e circular a bordo de caminhonetes sofisticadas. Em certa medida, em minha humildade opinião, esse sistema de “iguais” não passa de um instrumento de acomodação, que inibe o melhor do homem que é justamente a sua capacidade de pensar, de empreender, de trabalhar e de superar limites e dificuldades.

Pelo contrário, essa proposta que alguns tentam vender, à força e totalitariamente no Brasil, coloca a todos em um recipiente comum, inibindo talentos e difundindo o parasitismo enquanto os chefes usufruem do bom e do melhor, sem qualquer parcimônia ou remorso. Que o diga Fidel, o dono de uma deslumbrante ilha no Caribe, onde todos os excessos, que faltam ao seu povo, são permitidos. Se Deus quisesse que, de fato, todos fossem iguais, por que teria ele tido então o trabalho de fazer diferentes e, ainda, dar a cada um o livre arbítrio?

Os mais versados nas teorias socialistas podem discordar destas linhas, mas certamente não terão fartos argumentos para confrontar a realidade. Verdadeiramente, qual é o projeto do PT senão o de ocupar 22 mil cargos públicos, de polpudos salários, garantidos aos seus discípulos. Por que o Lula, em vez de utilizar de sua biografia para construir um país melhor e mais justo, preferiu enriquecer? O ex-presidente emprega de todas as influências para impedir investigação que tenta revelar aos brasileiros, inclusive aos que fingem não se importar, que a sua família se tornou, da noite para o dia, dona de uma das dez maiores fortunas do Brasil.

E a Dilma, a mãe dos pobres, que diz ter sempre uma “reservinha” em casa, em dinheiro vivo, de R$ 150 mil? É fácil ser socialista assim, da boca para fora. Chegou a hora de a indignação ganhar as urnas. De a classe média, que paga a conta em dobro e não tem direito a nada, e de as pessoas que diariamente têm o seu futuro anulado pela ambição e arrogância de alguns, erguerem a voz e impedir que esse excesso de contradições perdure.

Jean Paterno é jornalista

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